Saúde

Voos longos exigem cuidados com a saúde de quem viaja a negócios

travelsocks

De todos os problemas relacionados a viagens aéreas longas, provavelmente o menos lembrado é o que é popularmente conhecido como Síndrome da Classe Econômica (SCE). Traduzindo, é o resultado da permanência na posição sentada durante longos períodos, que provoca o acúmulo de líquidos nos membros inferiores e pode causar inchaço nas pernas e nos pés e pode resultar na Trombose Venosa Profunda (TVP), conhecida em inglês como DVT (Deep Vein Thrombosis). Inicialmente, pensava-se ser um problema relacionado apenas às viagens de avião, daí a origem do seu nome. Atualmente, sabe-se que o problema também atinge os viajantes de automóvel, ônibus e trens.

Os sintomas variam para cada indivíduo e podem surgir em questão de horas, dias ou até mesmo semanas após a viagem. A Trombose Venosa Profunda costuma se apresentar como uma vermelhidão nos membros inferiores, inchaço na panturrilha ou na coxa, aumento de temperatura na pele e palidez desta região. Ela ocorre quando um coágulo (tecnicamente chamado de trombo) obstrui uma veia profunda e impede ou dificulta parcialmente a passagem de sangue no local.

Fatores de risco

Entre os principais fatores de risco estão:

  • ficar sentado em assentos apertados que comprimam os membros inferiores por períodos superiores a quatro horas
  • desidratação por baixa ingestão de líquidos ou por excesso de álcool e a baixa umidade da cabine (dependendo do avião, pode chegar a apenas 2%)
  • Passageiros que tenham idade superior a 40 anos
    • altura superior a 1,80 m.
    • varizes e vasinhos nos membros inferiores
    • problemas cardíacos
    • câncer
    • antecedentes prévios de trombose nos membros inferiores ou embolia pulmonar
    • que se submeteram recentemente a cirurgias
    • que tiveram fraturas recentes nos membros inferiores

Além disso, mulheres que usam contraceptivos orais também podem apresentar o problema. Há também casos de pessoas jovens, sem histórico de problemas vasculares, que apresentaram a doença.

As varizes – veias doentes, que ficam tortuosas, alongadas, dilatadas e dificultam a circulação sanguínea – contribuem para o surgimento da SCE. A junção de diversos fatores pode causar a formação de um coágulo no sistema venoso de pernas e coxas. Este coágulo pode obstruir a passagem de sangue por esta veia, ocasionando a TVP, ou pode se desprender e chegar aos pulmões, provocando embolia pulmonar.

Combatendo o problema

Para combater o problema, os especialistas recomendam algumas medidas:

  • que o passageiro caminhe dentro da aeronave ou veículo de transporte sempre que possível
  • use sapatos confortáveis e que não apertem os pés; opcionalmente tirar os sapatos a bordo
  • evite ficar com as penas cruzadas por longos períodos
  • faça exercícios com a ponta dos pés, movimentando-os para cima e para baixo
  • beba bastante água

Algumas empresas aéreas estrangeiras com voos de longo curso, inclusive estimulam os exercícios a bordo com instruções específicas em suas revistas de bordo e até pelas comissárias. É o caso, por exemplo da British Airlines, que tem até uma revista de bordo especifica sobre saúde e bem estar.

Como coadjuvantes no combate à TVP, existem meias genéricas de suave compressão e também meias que anunciam ter sido especialmente desenvolvidas para viagem, conhecidas como “travel socks”, numa infinidade de opções de marcas, modelos e cores, normalmente encontradas no exterior.

Estudam apontam riscos

Segundo estudos da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e publicados no “Annals of Internal Medicine”, a cada duas horas de voo o risco de trombose cresce 26%, enquanto em uma viagem por meios terrestres esse risco cai para 18%. Isso se deve ao fato de os passageiros fazerem paradas durante o trajeto e se movimentarem mais.

Estudos recentes indicam que até 20% dos passageiros de voos longos podem apresentar sintomas de trombose venosa profunda e cerca de 1% acabam evoluindo para casos mais sérios, de acordo com um estudo recente publicado pela revista médica britânica The Lancet. É importante lembrar que voos longos não implicam necessariamente em voos internacionais: há muitos voos dentro de países de grande extensão territorial, como o Brasil e os Estados Unidos, com um grande número de escalas em que os passageiros permanecendo em suas poltronas por longos períodos.

Pin It on Pinterest

Share This